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Hoje Segunda
30 de Novembro de 2020




Trancados em casa: conheça histórias de moradores de SP que seguem em isolamento rígido há mais de sete meses

Durante a pandemia de Covid-19, editor escreveu seu primeiro livro aos 83 anos; idosa, que é mãe de feirantes, fica de máscara até dentro de casa; e casal de jovens é considerado radical pelos amigos

18 de Novembro de 2020
- Fonte: G1 SP - Atualizado 18/11/2020 09:41:26
O casal Luiz Coppi e Gabriela Carvalho continua em isolamento, faz mercado online, e é considerado radical pelos amigos

O casal Luiz Coppi e Gabriela Carvalho continua em isolamento, faz mercado online, e é considerado radical pelos amigos

Não fosse pelo som quase ininterrupto de buzinas e motocicletas acelerando, talvez o casal Gabriela e Luiz até se esquecesse de que mora a apenas um quarteirão da Avenida Paulista. Em novembro, mais de sete meses depois do início da quarentena por causa da pandemia de Covid-19, os dois, que têm pouco mais de 30 anos, continuam em confinamento rígido.
 
Assim como eles, o editor de livros José Xavier Cortez, de 83 anos, e a dona de casa Rita Peçanha, de 74, também moradores de São Paulo, não flexibilizaram as medidas de isolamento social.
 
Conheça, abaixo, as histórias deles:
 
"Fique em casa!"
 
A frase imperativa – que vinha não só do noticiário, mas principalmente de suas três filhas – levou a memória do editor de livros José Xavier Cortez ao início da década de 1940. Ele não ouvia ordens semelhantes desde então. “Comecei a ficar impaciente, e essa impaciência me fez lembrar de quando eu era criança lá no sertão do Rio Grande do Norte, quando a minha mãe me deixou de castigo."
 
A nova "punição", desta vez, foi causada pela pandemia de Covid-19. Aos 83 anos e no grupo de risco, Cortez teve de interromper os exercícios físicos, que fazia no Parque da Água Branca, as idas à editora Cortez, que fundou há 40 anos, e os encontros com os netos.
 
Mas um novo desafio tomou lugar da impaciência inicial. Depois de publicar, como editor, mais de 1,3 mil títulos, Cortez decidiu escrever seu primeiro livro: "Tempos de isolamento", que mistura memórias e reflexões sobre a vida em pandemia.
 
A ideia começou a tomar corpo depois que ele viu um recado no elevador, deixado por vizinhos do prédio que se ofereciam para fazer compras para os moradores mais velhos, ação de solidariedade que se tornou comum na pandemia.
 
Além das reflexões sobre a vida em quarentena, Cortez revisitou memórias das mais de oito décadas de vida. Do sertão do Rio Grande do Norte, passou por Pernambuco, onde se tornou marinheiro, pelo Rio de Janeiro, onde foi expulso da Marinha por questões políticas após o golpe militar, até chegar a São Paulo.
 
Na capital paulista, seu primeiro emprego foi como lavador de carros. Em seguida, já cursando economia na Pontifícia Universidade Católica (PUC), passou a comprar e revender livros, até abrir sua própria editora.
 
Antes de a pandemia começar, Cortez continuava na sala de aula, em um curso voltado para a terceira idade. Com o livro, ele também quis mostrar a importância desse tipo de programa nas universidades.
 
"As pessoas que estão envelhecendo – que criaram seus filhos, que deram todo seu tempo, todo seu trabalho, todo seu suor, em benefício de determinadas cidades do país – merecem esse tratamento especial."
 
Hoje viúvo, Cortez mora sozinho em um apartamento em Perdizes. A escrita do livro ocupou seu tempo por cinco meses. E com o lançamento, em outubro, a agenda continua cheia, agora com telefonemas, e-mails e lives na internet.
 
"Foi uma experiência singular que, posso assegurar, me manteve ativo mentalmente e entusiasmado a ponto de me apartar de qualquer resquício de depressão e tristeza nestes meses de confinamento."
 
Rita Peçanha, dona de casa
 
Com a chegada da pandemia, Rita Peçanha, de 74 anos, viu sua rotina mudar radicalmente depois de mais de três décadas. Testemunha de Jeová, ela estava acostumada a sair de casa para visitar as pessoas e falar sobre a Bíblia. O trabalho a fazia caminhar pelo bairro e sempre conhecer gente nova.
 
A dona de casa chegou a ficar com raiva quando um dos filhos disse que ela não iria mais poder sair. “Até entender tudo, foi muito difícil. Depois, comecei a pensar que iam ser só dois meses. E você vê, até hoje...".
 
Rita mora com quatro filhos em uma casa na Vila Libanesa, Zona Leste de São Paulo. Como alguns deles trabalham como feirantes e têm muito contato com outras pessoas e fregueses, todos ficam de máscara até dentro de casa. “Eu tiro só para dormir. E, às vezes, para assistir às videoconferências”, conta Rita.
 
Nestes meses, além de participar das reuniões on-line, a dona de casa vêm contando com a leitura para passar o tempo. Ainda assim, sente falta do convívio com a família e os netos. “A gente nunca mais comeu uma pizza junto”, lamenta.
 
Com isso, surgiu a ideia da chegada de mais um membro na casa. No caso, a cachorra Hanna, um filhote. “Outro dia, falei o dia todo com ela. Dei risada, ela me alegrou muito mesmo."
 
Já acostumada ao isolamento, Rita disse que irá continuar com as medidas de segurança até a chegada de uma vacina contra a Covid-19.
 
Luiz Coppi e Gabriela Carvalho, professores
 
O casal de professores de redação Gabriela Carvalho, de 33 anos, e Luiz Coppi, de 32, conheceu os termos “lockdown”, "pandemia" e "quarentena" quando ainda morava em Portugal. Lá, o isolamento foi rígido.
 
“A grande ficha caiu quando acabou o primeiro estoque de comida, e a gente precisou sair para ir ao mercado. Tinha segurança na frente, as pessoas estavam em fila com distanciamento, e aí deu uma sensação de que a gente estava entrando em Chernobyl”, diz Luiz.
 
Em julho, quando voltaram para o Brasil, o novo choque foi com a diferença entre os países. Quando perceberam que no Brasil a máscara, o distanciamento e o uso de álcool gel não eram regra entre a população, decidiram continuar o confinamento total.
 
“Eu tive um momento do qual acho que não me recuperei até agora, de ver pessoas de quem eu gosto muito indo para a praia, em reuniões conjuntas. Eu posto muito no Instagram sobre essa questão, então acho que eles nem chamam mais, porque eles ficam: 'Ah, estão lá os dois radicais'", conta Gabriela.
 
O casal continua fazendo todas as compras pela internet e higieniza tudo que chega. Quando receberam visitas surpresas de parentes, não autorizaram a subida até o apartamento.
 
“A gente está em um momento em que a ciência e as universidades estão sendo super atacadas, e o que a gente ouve dessas instituições é que o isolamento ainda é a melhor maneira, a máscara ainda é a melhor maneira [de se proteger]. E me dá a impressão de que ficar em casa é validar isso”, diz Luiz.
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