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25 de Outubro de 2020




Os dois padres acusados no primeiro julgamento por abuso sexual da história do Vaticano

É o primeiro processo contra um suposto caso de abuso sexual dentro da sede da Igreja Católica

16 de Outubro de 2020
- Fonte: BBC - Atualizado 16/10/2020 08:38:27
Os dois padres acusados no primeiro julgamento por abuso sexual da história do Vaticano

Os dois padres acusados no primeiro julgamento por abuso sexual da história do Vaticano

Dois padres católicos foram a julgamento no Vaticano, neste que é o primeiro processo por um suposto caso de abuso sexual na cidade-Estado.
 
Gabriele Martinelli, 28, é acusado de estuprar um coroinha entre 2007 e 2012.
 
Enrico Radice, de 72 anos, é acusado de encobrir o suposto crime enquanto era reitor da escola de teologia onde se afirma ter ocorrido o abuso sexual.
 
Nenhum dos dois se posicionou sobre as acusações.
 
Embora muitos padres tenham enfrentado acusações de abuso em todo o mundo, o Vaticano até agora nunca realizou um julgamento sobre suspeitas de abuso sexual dentro de seus próprios muros.
 
O julgamento, que começou com uma breve audiência na quarta-feira (14), tem alto valor simbólico, pois o Vaticano é o lar das lideranças espirituais da Igreja Católica Romana, como o Papa Francisco.
 
Quais são as acusações?
Na quarta-feira, durante uma audiência de oito minutos em um pequeno tribunal, as acusações contra os dois homens foram lidas em voz alta.
 
Martinelli é acusado de abusar sexualmente de um menino no Seminário Pio 10, no Vaticano, que abriga coroinhas que celebram missas na Basílica de São Pedro.
 
Segundo a promotoria, ele submeteu forçosamente um menino, que não pode ser identificado por motivos legais, a "atos carnais" durante vários anos. O abuso teria começado quando a criança tinha 13 anos.
 
O próprio acusado também frequentou o seminário e depois se tornou padre. Segundo os promotores, Radice não impediu sua ordenação, mesmo sabendo das acusações contra ele.
 
Por isso, Radice responde oficialmente pela acusação de encobrir o crime e tentar atrapalhar as investigações oficiais.
 
Nenhum dos dois falou durante a audiência, e o julgamento deve ser retomado em duas semanas.
 
As acusações de abuso e do acobertamento são conhecidas dentro da igreja desde 2012, mas só vieram a público graças a jornalistas que falaram com um colega da vítima em 2017.
 
O Papa Francisco pediu uma "ação definitiva" contra os crimes dentro da igreja quando foi eleito em 2013, mas os críticos dizem que ele não fez o suficiente para responsabilizar os bispos suspeitos de acobertarem os abusos sexuais.
 
Em agosto de 2018, o líder religioso escreveu a todos os católicos condenando o abuso sexual clerical e exigindo o fim do acobertamento.
 
E, no ano passado, ele tornou obrigatório para o clero católico romano reportar casos de abuso sexual clerical e acobertamentos para a Igreja.
 
Segundo Mark Lowen, repórter da BBC em Roma, o seminário fica a poucos metros de onde o Papa Francisco vive e treina coroinhas para missas papais.
 
"Denúncias de uma endemia de abusos sexuais atingem a Igreja Católica há décadas. Apesar das medidas contra os abusos sexuais por sacerdotes, o Papa Francisco recebeu críticas de que ele é lento demais para reconhecer a escala do problema. O surgimento de novas acusações deixa claro a montanha de casos em potencial que a Igreja ainda deve enfrentar", resume o jornalista.
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