Juína/MT, 14 de Junho de 2024
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14 de Junho de 2024


Mato Grosso Segunda-feira, 15 de Maio de 2023, 07:38 - A | A

Segunda-feira, 15 de Maio de 2023, 07h:38 - A | A

"Milagres existem; sou um deles", diz médica picada por jararaca

Dieynne Saugo foi atacada durante passeio em uma cachoeira de Nobres em agosto de 2020

A médica Dieynne Saugo ficou conhecida em todo País após ser picada três vezes por uma cobra da espécie jararaca, no dia 30 de agosto de 2020, na cachoeira Serra Azul, em Nobres (151 km de Cuiabá). Dois anos e oito meses depois, ela se considera recuperada fisicamente, mas ainda não se sente completamente segura em passeios na natureza. 

Comecei a dar prioridade àquilo que é essencial, fundamental e mais importante

Há dez dias, um novo caso de picada de jararaca, agora em Chapada dos Guimarães, trouxe de volta à tona os riscos e as consequências de um ataque  de cobra.

Devido às complicações, Dieynne viveu momentos desafiadores. Durante os 20 dias de internação no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, ela passou por três cirurgias, incluindo uma traqueostomia para desobstruir as vias aéreas que estavam 70% comprometidas.

Apesar do susto, de acordo com Dieynne, a resiliência a ajudou a superar o episódio e a mudar sua forma de encarar a vida.

“Comecei a dar prioridade àquilo que é essencial, fundamental e mais importante, que é o meu relacionamento com Deus. Passei a dar mais valor na vida, na família; a estar mais presente, porque ninguém sabe o dia de amanhã”, diz Dieynne. 

 

Com o incidente, a médica diz que seu lado espiritual se fortaleceu. Atualmente, se envolve em atividades religiosas, como por exemplo a participação de células de sua igreja. 

  

“Hoje eu me vejo assim, como um instrumento de Deus na vida das pessoas; para evangelizar, passar meu testemunho e para provar que milagres existem e eu sou um deles”.

 

Dieynne, que sempre gostou do contato com a natureza, conta que passar pelo episódio fez nascer nela um estado de alerta que a faz ficar receosa quando planeja fazer um passeio em trilhas, rios ou cachoeiras. 

 

"Gosto de trilha, fazenda, cachoeira, rio, mar, enfim, gosto de tudo... E acho que mudou um pouco em relação a isso. Não porque eu tenha medo, mas porque vieram muitas notícias de cobras em mato, em cachoeira, em trilhas e acaba que isso assusta um pouco", afirma.

 

"Parece que perdeu um pouco de sentido para mim aquela felicidade imensa que eu sentia [de ir em cachoeiras]. Fui algumas vezes fazer passeio, já fui em cachoeiras novamente, mas a sensação é como se eu estivesse em estado de alerta. Não é mais aquela sensação gostosa, de estar indo para relaxar".   

 

As jararacas são cobras com aparições constantes na América do Sul. E, para a médica, não há como ter um cuidado preventivo, já que a natureza é o habitat natural do animal. Mas isso impacta o planejamento de suas viagens. Agora, antes de escolher um lugar para passear, ela verifica se há aparição de cobras. 

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Dra. Dieynne Saugo hospital

A médica Dieynne Saugo na época da internação

 

A médica diz que viu na imprensa os relatos sobre Marciele de Pinho Silva, que morreu no último dia 4 em razão de uma picada. 

 

Apesar de não ter acompanhado de perto, Dieynne afirma que o tempo é crucial para evitar fatalidades como a da moradora de Chapada. “Eu levei mais tempo que ela para receber o atendimento e sobrevivi. Mas quanto mais o veneno está circulando ali, mais grave o caso vai ficando. As consequências são de acordo com o tempo que o veneno vai agindo no organismo”.

 

De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), o soro antiofídico está presente em 85 das 141 cidades de Mato Grosso. Na Baixada Cuiabana apenas os municípios de Cuiabá, Poconé e Chapada dos Guimarães possuem o soro botrópico, específico para serpentes, incluindo jararacas.

A distância para ter acesso ao medicamento preocupa a médica, que acredita que políticas públicas podem ajudar a evitar mortes no Estado, principalmente em municípios onde casos de picadas de animais peçonhentos são recorrentes. 

“No meu caso, eu estava em Nobres. Até eu chegar e tomar soro demorou bastante, também. Eu acho que tinha que ter um programa do Governo que incentivasse as UPAs a terem o soro. Tinha que ter alguma atitude diante desses casos de óbito, que estão cada vez mais recorrentes”, afirma a médica. 

 

 

Fonte: Midia News

 

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